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Soberania e Segurança Alimentar

XV Edição Abril Vermelho

Ufscar (Universidade Federal de São Carlos – Campus Sorocaba), promoveu na terça-feira, 28 de abril, em memória aos trabalhadores rurais assassinados no Massacre de Eldorado do Carajás – Pará, o evento de encerramento abordando a soberania e segurança alimentar, sendo realizada a XV edição e os 30 anos do ocorrido.

Durante todo o mês do abril vermelho, ocorreram encontros com diversos temas, contando com a participação de autoridades, pesquisadores, estudantes e palestrantes relacionados ao meio acadêmico, agroecológico e social.

Na mesa de encerramento estiveram presentes as convidadas Vivian Delfino Motta – Professora IFSP (Instituto Federal São Paulo), Dra. Ciências Sociais pela PPGCS- IFCH e Coordenadora do Núcleo de Estudos em Gênero, Raça e Agroecologias Negras e Mara Lúcia Ferreira de Mello – Consea (Conselho Estadual de Segurança Alimentar e Nutricional Sustentável) e Coordenadora Macro Sorocaba, tendo como Mediadora Débora Komiyama – NAAC (Núcleo de Agroecologia Apêtê Caapuã) e Coordenador do Abril Vermelho Fernando Silveira Franco – Prof. UFSCar, Dr. Agrofloresta e Coordenador do Núcleo de Agroecologia Apêtê Caapuã.

Mara Mello relatou sua experiência de vida no campo, como filha de agricultores foi fundamental para formar sua essência e trajetória profissional, gerenciou a Ceagesp Sorocaba e atualmente coordena o Consea.

Dentre tantos pontos de suma relevância, destacamos dois importantes para reflexão, dos quais citamos a seguir:

“… não existe soberania, país seguro se não pensar numa estratégia de segurança alimentar …”

“… soberania a gente vai ter a partir do momento que a gente entender que ela é integral, ela não só repõe onde está faltando, mas ela também pensa que todo mundo está comendo de forma equilibrada lá no futuro, aí a gente vai ter soberania …”

Vivian Motta abordou a questão alimentar nos grandes centros, citando como exemplo Taboão da Serra, região periférica de São Paulo, e os malefícios à saúde com relação a estes alimentos ultraprocessados, que vêm substituindo alimentos naturais, que por sua vez, acabam adoecendo a população local e a falta de espaço para se cultivar hortas.

Destacou ainda:

“… o alimento que alimenta, não chega, chega o que a gente chama agora de ultraprocessado, mas isso não é comida, então se você tem uma população que não é porque ela não sente fome que ela tá alimentada… “

Questão atualmente enfrentada também em alguns quilombos, envolvendo questões políticas e sociais. Percebendo-se atualmente um verdadeiro processo de naturalização com relação aos alimentos processados nas mesas.

Abordando também o trabalho que vem realizando na horta comunitária de São Roque, um espaço cedido pela Prefeitura, que antes dava lugar a um lixão, por meio de um mutirão, entre alunos e pesquisadores conseguiram repaginar o espaço, tornando-o produtivo e dando assistência aos moradores locais.

Sendo assim, abril vermelho encerra mais uma edição, deixando reflexões e aprendizados que só se constrói um mundo melhor e mais digno com um trabalho em conjunto não apenas de órgãos competentes, mas também da própria população e seu engajamento em semear, cultivar para assim haver uma produtiva colheita onde todos de forma digna e estrutural possam desfrutar dos alimentos.

imagens Lau Araújo (NAAC)

Mara Mello

CONSEA

Vivian Motta

IFSP

Fernando S. Franco

UFSCar

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